Por que as reflexões e o entendimento sobre o “comportamento de olhar” são essenciais para a saúde comportamental nos dias atuais?
A Psicologia nos ensina que os nossos comportamentos de observar, ver, perceber, focar e atentar são, em grande parte, determinados por leis da percepção humana, por nossas histórias de interação com o ambiente, pelos contextos em que estamos inseridos e pela cultura que nos cerca.
Os algoritmos das redes sociais exercem um amplo controle sobre esses determinantes. Desse modo, somos expostos diariamente por estímulos que direcionam nossos olhares com propósitos e interesses os quais permanecemos completamente inconscientes.
Esses estímulos exercem um controle profundo sobre o que começamos a valorizar, sentir, desejar e "ver": pode ser um determinado tipo de corpo, de alimento, de sabor, de lugares, de formas ideais de relacionamento ou até mesmo "imagens" do que supostamente constitui a "verdadeira felicidade".
Assim, há um desafio: precisamos nos colocar em estado constante de reflexão e autocrítica sobre o que escolhemos ver e valorizar.
Diante desse cenário, emerge um desafio crítico: é fundamental manter um estado contínuo de reflexão e autocrítica sobre as decisões que tomamos a respeito dos estímulos que escolhemos entrar em contato e interagir.
Essa autocrítica é fundamental para cultivarmos uma relação mais saudável com os ambientes que interagimos. A empatia e a disposição para enxergar além de nossas próprias perspectivas são essenciais para nosso crescimento e para a compreensão do outro.
Uma abertura autêntica para diálogos sinceros com interlocutores e interações constantes com comunidades diversas nos ajuda a perceber que existem múltiplas realidades e experiências que vão muito além dos nossos "olhares".
O envolvimento contínuo e profundo com a arte pode ser uma ferramenta poderosa para expandir nossos horizontes e desafiar nossas percepções. A experiência artística nos convida a questionar e a ver o mundo sob novos “olhares”.
Portanto, é vital que nos engajemos conscientemente em ambientes que nos incentivem a explorar novas formas de "olhar", que exijam uma diversidade maior de perspectivas.
Como resultado desse exercício contínuo, experimentaremos uma ampliação do autoconhecimento e uma maior conscientização sobre o mundo que nos cerca.
Essa prática se revela como uma abordagem efetiva para cultivar a saúde comportamental, tornando nossa vivência mais enriquecedora em meio a um momento histórico e cultural que insiste em nos manter superficiais, inconscientes e passivos diante de poderosos determinantes com diversos fins e interesses alheios a todos nós.
Wilton de Oliveira
ITECH-Instituto de Terapia e Estudo do Comportamento Humano.